Entrevista 2

9 de julho de 2008

Abaixo segue a transcrição de uma outra entrevista (tô ficando besta) que dei para a Daniela Linhares, para um trabalho (acho que de faculdade) que está fazendo sobre o interesse atual (ou a falta dele) das crianças pelo futebol de mesa. Ela procurou o pessoal do Bola Quadrada por conta de uma atividade que realizamos no Colégio Logosófico de Brasília.

Qual a reação das crianças ao se depararem com o jogo?

Das que nunca tinham visto ou jogado, a grande maioria ficou fascinada! Meninos e meninas. A mesa é bonita, os botões são bonitos e o objetivo de acertar o gol batendo na bola com um botão que é impulsionado por uma palheta é bastante desafiador.

Durante as aulas, as crianças faziam fila pra jogar. Muito poucas foram as que não tiveram coragem ou interesse em se aventurar. Menos ainda foram as que não quiseram repetir a dose depois de experimentar. Depois de uma das aulas, vi um grupo de meninas combinando quando se encontrariam na casa de alguém para jogar.

Percebeu que algumas das crianças se depararam com o jogo pela primeira vez?

Sim. Muitos meninos diziam: “meu pai joga isso!” ou “eu sou bom nesse jogo!” Mas muitas crianças só tinham ouvido falar.

No colégio, já houve atividade anterior parecida com a que o ‘Bola Quadrada’ promoveu?

Como uma aula, não. Mas eles têm um campinho pequeno lá e alguns times de plástico.

Percebeu empenho dos professores em fazer com que os alunos interagissem com a atividade promovida?

Sim, muito. Do professor e da direção. Quando propus a atividade à diretora da escola, Dona Lúcia, de imediato ela ficou interessada e marcou uma reunião para combinarmos como seria. Do mesmo modo, o professor de educação física, Prof. Marcelo, já reservou um dia para irmos à escola e avisou aos alunos sobre a aula “diferente” que teriam. Durante as aulas ele também participou ativamente. Primeiro perguntando e entendendo as regras. Depois auxiliando os alunos durante as partidas. Depois de encerradas as aulas até disputamos uma partida, para ele matar a vontade, pois já havia jogado quando mais novo.

Acha que, nos dias de hoje, as brincadeiras mais simples perderam espaço para jogos eletrônicos, ou ainda vê-se criança brincando como antigamente?

De certa forma, sim, mas não por falta de interesse das crianças e sim por falta de acesso às brincadeiras. Um pouco por conta dos pais, que mantém as crianças muito mais presas em casa ou envolvidas com diversas atividades “extra-escola”, e um pouco por conta da propaganda, que bombardeia as crianças com “sensacionais” brinquedos eletrônicos. O que é mais lucrativo, uma “Play Station mega plus plus de 8ª geração” ou um jogo de botão de plástico?

Outra coisa é que, para muitos pais, é muito mais fácil colocar um video game nas mãos do filho e mantê-lo colado na frente da televisão, onde você terá certeza que ele estará por horas a fio, sem a necessidade do auxílio de um adulto.

As crianças continuam adorando brincar de pique-esconde, de pular corda, de jogar botão, de andar de bicicleta, de jogar futebol, de correr, pular e se sujar. Só precisam ter acesso e tempo pra isso.

Como curiosidade, há uns 2 anos fizemos uma festa de aniversário para nossa filha, 6 anos, em que resolvemos não dar as famosas “lembrancinhas”, nem ter nenhum tipo de “animação de festa” ou brinquedos da moda, como cama elástica. Pintamos algumas amarelinhas no chão e deixamos algumas bolas, elásticos e cordas espalhadas pelo quintal. O resultado foi que a animação foi muito maior do que já tínhamos visto há muito tempo em festas infantis. As crianças brincaram MUITO, sem parar, e ninguém queria ir embora.

Outro exemplo interessante foi uma outra atividade que o André, que preparou comigo essa do futebol de mesa, realizou na mesma escola. Fez uma oficina de peão. Disse que a criançada (e também os pais) ficou louca. Brincaram por horas a fio.

Na sua família, só vc joga botão?

Eu jogo, minha filha (12 anos) joga, meu cunhado, meu compadre e um bocado de amigos.

Como vc explica o fato de ser vc, um adulto que é fã de um jogo “infantil” e, uma criança, relativamente propícia ao jogo, não demonstrar o mesmo interesse?

Bem, aí há dois erros de “interpretação”.

Primeiro, por que o futebol de mesa é mostrado sempre como um “jogo infantil”?

É um “jogo” e ponto. É um esporte regulamentado, com Confederação Brasileira, federações em quase todos os estados e no Distrito Federal e milhares de praticantes federados (quase todos adultos), sem contar os que praticam como passa tempo. Desde a década de 50 os adultos já praticam o futebol de mesa de forma organizada no Brasil. Ninguém fala que o futebol de salão ou o tênis de mesa são jogos infantis, apesar de praticamente toda criança no Brasil praticar ou já ter praticado ou experimentado pelo menos um deles.

O segundo erro, que já está explicado acima, é que as crianças demonstram interesse, sim, e muito! O que falta é acesso a este e a outros jogos “não eletrônicos”.

Os jogos atuais de alta tecnologia são legais? São, muito! Mas botar a mão na massa, correr suar e se sujar também é, MUITO! ;-)

2 comentários para “Entrevista 2”

  1. Thais disse:

    Olá,

    Estou indo para os EUA cuidar de crianças de 5 e 8 anos, e estou levando brincadeiras brincadeiras aqui do BR, uma delas é o futebol de botão, e as cinco marias. Estou procurando uma regra fácil de ensinar, pois pra eles não é tão simples. Agradeceria mto se me ajudasse.

    aguardo um retorno, e agradeço desde já a atenção.

    Thais

  2. Zamorim disse:

    Oi Thaís, bacana a sua iniciativa!
    A melhor regra para ensinar para as crianças é a do leva-leva, que é a regra com a qual todos começávamos a jogar há algum tempo.

    Existe uma regra publicada no link a seguir, mas é uma redação bem antiga: http://futeboldemesanews.com.br/regras/regra%20toque%20toque.doc

    Você encontra também diversas outras regras no endereço http://futeboldemesanews.com.br/regras/

    Tem uma comunidade no Orkut que também fala da regra, onde você pode tirar dúvidas: http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=39338055&tid=2586506724688857796&start=1

    Boa sorte!

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