1º Mundialito com Vidrilhas

23 de janeiro de 2012

No último sábado, dia 21 de janeiro, foi realizado o 1º Mundialito de Futebol de Botão com Vidrilhas. O torneio foi prestigiado pelas seleções de todos os países que já foram campeões mundiais e ainda teve a participação de duas seleções que encantaram em determinada copa, mas não levaram o caneco. Trata-se das seleções da Hungria de 1954 e da Holanda de 1974. As outras competidoras foram a seleção do Huruguai de 1930, da Italia de 1934, da Inglaterra de 1966, do Brasil de 1970, da Alemanha de 1974, da Argentina de 1986, da França de 1998 e da Espanha de 2010.


Da esquerda para a direita: Hamilton, Marcus, André, Maurício e Daniel

Cinco técnicos foram convidados a dirigir as dez seleções, ficando cada um deles responsável por duas delas. André, Daniel, Hamilton, Maurício e Marcus.

As equipes foram divididas em 2 grupos de 5, onde se enfrentaram por pontos corridos. Ao final da primeira fase, as duas melhores de cada grupo disputariam as semifinais para a decisão de 1º a 4º lugares. A terceira e a quarta de cada grupo disputariam as semifinais para a decisão de 5º a 8º lugares. E as lanternas de cada grupo, voltariam para casa mais cedo.

O grupo A foi formado por Brasil (Hamilton), Argentina (Daniel), Hungria (Marcus), Holanda (Maurício) e Inglaterra (André). A disputa foi muito equilibrada e quando teve início a última rodada, quatro seleções ainda tinham chances de classificação. Logo na primeira rodada, um dos maiores clássicos do futebol mundial, Brasil x Argentina, foi também o único jogo a acabar em 0×0 em todo o torneio. Bem típico de Brasil x Argentina. O outro jogo de abertura, foi um Hungria x Holanda, duas seleções que, segundo alguns, não deveriam ter caído no mesmo grupo, para que tivessem mais chance de ambas se classificaram para tentar a tão falada “justiça história”. Foi um jogo parelho, que terminou com a vitória por 3×2 do Carrossel Holandês.


Duas grandes equipes que fizeram história e são até hoje lembradas, mesmo não tendo vencido a Copa do Mundo. Holanda de 74 e Hungria de 54. Jogo terminado 3×2 para a Holanda.

Em um grupo com 3 campeões mundias e 2 que deveriam ter sido não se pode falar em decepção ou surpresa, mas a Inglaterra deixou aquele gostinho de que poderia ter dado mais, ao terminar a fase com apenas 1 ponto, conquistado no empate por 1×1 no jogo contra o Brasil. Enquanto na Holanda, Cruyff comandava a festa, servindo Krol, Rijsbergen e De Jong para balançarem incessantemente as redes adversárias, garantindo antecipadamente a classificação, a Hungria ia tentando se encontrar em campo e chegava à penúltima rodada secando com todas as forças Argentina e Brasil para que não vencessem e ainda necessitando de uma vitória na última rodada, conta a Inglaterra. A secação deu certo, já que os dois jogos terminaram empatados em 1×1. Os húngaros entraram então focados no último jogo e carimbaram o passaporte dos ingleses com um impiedoso 5×1, com show de Sandor Cocsis, que marcou nada menos que 4 gols na partida, garantindo o primeiro lugar no grupo.

Ao final, Hungria e Holanda se classificaram em primeiro e segundo e mostraram para os críticos que o temor de colocar as duas no mesmo grupo era infundado. Ambas continuavam no caminho para tentar a tão sonhada “justiça história” ;-) Argentina e Brasil passaram à disputa até o 5º lugar e Inglaterra voltou pra casa com a lanterna.

O grupo B foi formado por Espanha (Hamilton), Alemanha (Daniel), Itália (Marcus), Uruguai (Maurício) e França (André). Já na primeira partida, a Alemanha mostrou que não estava ali para brincadeira e detonou a Espanha, atual campeã mundial de futebol de campo, por 3×1. O Uruguai, também com pinta de vencedor, passou por cima da Itália (4×2), com show de Hector Castro (2 gols). Só que no jogo seguinte, o mesmo Uruguai foi atropelado pela França (3×0) e não conseguiu marcar mais um gol sequer, terminando a fase na lanterna do grupo B. Também a França parou depois da estréia avassaladora. Seria ainda trucidada por 5×1 pela irresistível Alemanha e sofrido uma derrota ainda pior para a então mosca morta do grupo, como se verá mais adiante.

A Alemanha foi perfeita durante toda a primeira fase, terminando com 100% de aproveitamento e média de 3,3 gols por partida. Sobrou e garantiu a classificação com antecedência. A Espanha também, embalada com os golaços de Xabi, Puyol e Iniesta, se recuperou depois da derrota inicial, sobrou sobre os demais adversários e acabou se classificando com certa tranquilidade em segundo lugar no grupo. Restou então a emoção na disputa contra a lanterna. Na última rodada, os italianos, depois de três derrotas, já haviam marcado o vôo de volta e entraram derrotados em campo para enfrentar a França. Mas eis que surge um gigante, Giuseppe Meaza, que sozinho já seria suficiente para destroçar os atordoados franceses, marcando nada menos do que cinco gols, na vitória por 8×4. Após a partida, o técnico da França teria sido ouvido lamentando o fato de que logo quando fizeram quatro gols, tomaram oito. A Itália acabou se classificando para a disputa até o 5º lugar em terceiro no grupo, com a França em 4º. A lanterna ficou com o Uruguai, que já contava com a vaga certa e a lanterna nas mãos dos Italianos.

Nas semifinais pela disputa até o 5º lugar, a França passou fácil pela Argentina, vencendo por 2×0. Brasil e Itália, fizeram um jogo emocionante, com o Brasil fazendo uma de suas melhores partidas na competição, mas a Itália mostrou que os 8×4 não haviam sido mero acaso e venceu a partida por 5×3. França e Itália se encontrariam novamente, na disputa pela quinta colocação. Argentina e Brasil “lutariam” pelo sétimo lugar.

Nas semifinais da elite, Hungria e Espanha fizeram um jogo muito equilibrado, com shows de Puskas e Puyol, e que acabou empatado em 3×3. A decisão da vaga para a final foi para os pênaltis. Nessa situação a Hungria lembrou muito uma certa Seleção Brasileira em decisão de pênaltis e, mostrando uma incrível incompetência, não conseguiu converter um pênalti sequer e foi facilmente batida pela Espanha por 2×0 nos pênaltis. No outro jogo, a Holanda passeou sobre a até então imbatível Alemanha, que depois de distribuir gols a torto e a direito na primeira fase, não conseguiu se desenrolar do Carrossel Holandês e acabou derrotada por 3×0, com show de Cruyff, que marcou dois dos gols dos Holandeses. A final reeditaria a final da Copa do Mundo de Futebol de 2010, com Holanda e Espanha lutando pelo título.

Na disputa pelo 7º lugar, a Argentina levou a melhor sobre o Brasil, vencendo por 2×1, se é que se pode chamar uma colocação final dessas de “levar a melhor”. Mas vocês sabem como é essa rivalidade e os jornais em toda a Argentina enalteceram o grande feito de ter imputado aos brasileiros aquele horroroso 8º lugar. Dizem até que seus jogadores foram recebidos com festa no aeroporto.

Na disputa pelo 5º lugar, França e Itália se encontraram novamente, mas dessa vez a França entrou decidida em ir à forra ou, pelo menos, não ser trucidada novamente. O que se viu foi um jogo digno de final, que com novo show de Meaza (4 gols) e de Petit, o artilheiro francês, terminou empatado em 5×5. A decisão foi para os pênaltis e a Itália conquistou a 5ª colocação no sufoco, vencendo por 4×3 a decisão por pênaltis.


Itália, do técnico Marcus (esquerda), e França, do técnico André (direita) prontas para a decisão do 5º lugar. Jogo terminado em 5×5 e decido nos pênaltis com vitória da Itália por 4×3

Na disputa pelo 3º lugar, entre Hungria e Alemanha, o que se viu foi um jogo duro, duro mesmo de se ver, um jogo triste, com as duas seleções abatidas pela perda da vaga na grande final, ambas depois de se classificaram em primeiro em seus grupos. Mais duro ainda para a Alemanha, depois da campanha brilhante da primeira fase. O fato é que o jogo se arrastou no 0×0 até o final, quando o lateral húngaro Buzanszky meteu um balaço de longe, mais no desespero para fugir de outra decisão de pênaltis, do que propriamente para conquistar a terceira colocação. A bola balançou as redes da Alemanha ao mesmo tempo em que sou o apito final. Fim de papo.

Na grande final, um grande jogo, digno das campanhas de Holanda e Espanha. A Espanha saiu na frente e abriu vantagem de 2×0, quase garantindo uma vitória tranquila, mas os Holandeses reagiram e empataram o jogo no final, levando a decisão para os pênaltis. Depois de diversas cobranças e muita catimba entre técnicos, goleiros e artilheiros, a Holanda se sagrou campeã do Mundialito, assim como fez na primeira Copa do Mundo do Bola Quadrada, invertendo dessa vez a classificação final da Copa do Mundo de futebol de campo de 2010.


Holanda, do técnico Maurício (esquerda), e Espanha, do técnico Hamilton (direita) prontas para a finalíssima. Jogo terminado em 2×2 e decidido nos pênaltis com vitória da Holanda por 3×2

Agora algumas curiosidades sobre o torneio.

Artilheiros: Giuseppe Meaza, nº 10 da Itália, com 10 gols em 6 jogos disputados. Os vice-artilheiros foram Raimundo Orsi, nº 9 também da Itália, Sandor Kocsis, nº 8 da Hungria, e Petit, nº 17 da França, todos com 5 gols.

Melhor ataque: Seleção da Itália, com 24 gols, média de 4 por partida.

Melhor defesa: Seleção da Argentina, sofrendo apenas 5 gols, média de 0,8 por partida.

Pior defesa: Seleção da Itália, sofrendo 22 gols, média de 3,7 por partida. A Itália, que teve também o melhor ataque, joga com a filosofia de que a melhor defesa é o ataque.

Jogo com mais gols: França e Itália fizeram na primeira fase um jogo com 12 gols, quando a Itália venceu pelo placar de 8×4, jogo considerado por muitos (os dois técnicos) como a final antecipada do Mundialito. Detalhe que as duas equipes já estavam sem chances de disputar as finais ;-) Curiosamente a segunda maior quantidade de gols também aconteceu em jogo entre as duas equipes, pela decisão do 5º lugar, um empate em 5×5.

Maiores goleadas (diferenças de gols): Hungria 5×1 Inglaterra, Alemanha 5×1 França e Itália 8×4 França.

Foi um torneio muito equilibrado, com as três melhores colocadas, Holanda, Espanha e Hungria fazendo campanhas extremamente semelhantes. A quarta colocada, Alemanha, somou ainda a maior quantidade de pontos, tendo sido a única a realmente desequilibrar na primeira fase.

A exemplo da 1ª Copa dos Campeões Brasileiros, realizada em 2010, nenhum dos técnicos colocou suas duas equipes nas finais, o que facilitou bastante o andamento e a diversão. Intervenção dos Deuses do Futebol de Botão? Quem sabe?…

A diversão foi muita. Muito jogo de botão, muita conversa fiada, cerveja, petiscos e mais uma grande tarde entre bons amigos. Vamos ver se em 2012 aconteçam todos os torneios pretendidos. Que não passe em branco como 2011!

Tabela completa »

Abaixo, mais fotos do evento…

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